segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"Na minha mesa tá faltando ela e a saudade dela tá doendo em mim"

              Essa música foi cantada no velório da minha tia querida em homenagem a ela por que ela sempre foi uma pessoa festeira, alegre e que curtia tomar uma cervejinha com os amigos (que por sinal ela deixou muitos). Ela é muito querida.
             Tia Sonia, pensei em mil coisas para escrever para te homenagear e no fim só me me veio a cabeça as coisas de que a senhora mais gostava: samba, Vinícios de Morais e dançar.
             A senhora me ensinou muitas coisas, eu nem preciso entrar em detalhes, mas a maior lição de todas você me deu na hora em que você partiu. Quando você se foi fazendo o que mais gostava, dançar, eu aprendi que a gente tem que viver dia a dia sem pensar no amanhã, porque o amanhã pode não chegar. E é assim que eu pretendo levar a minha vida, vivendo um dia de cada vez, viver o presente que é a única coisa que existe, porque como alguém já disse: "o passado já passou e o amanhã não existe." 
             E por isso, primeiro vou escrever na íntegra o "Soneto da Separação" de Vinícios de Morais que além de saber que a senhora o achava lindo, tem algo de parecido com a sua história já que você se foi simplesmente assim: de repente!

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

            Agora que a senhora foi embora se encontrar com Noel Rosa, Cartola e Pixinguinha (entre outros). Tenho certeza que eles te receberão com uma linda roda de samba e depois Luiz Gonzaga e Jakson do pandeiro tocarão um legítimo forró para que a senhora, com toda a paciência de professora que tinha, ensine os outros três a dançar o autêntico forró nordestino.
            Tenho certeza que a senhora fará o céu ainda mais alegre com aquele seu sorriso que contagiava a todos.
            Até um dia tia, ainda nos encontraremos nas rodas de samba do céu.

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